O que fazemos (sem perceber) para conseguir a aprovação dos outros?

Atualizado: 17 de Out de 2018

Todos nós gostamos de saber que nosso ambiente valoriza e aprova nossa maneira de ser ou as decisões que tomamos. Essa dependência não é, em si, uma fraqueza. Na verdade, é saudável desde que mantenhamos um equilíbrio que garanta a independência de nossas ações e decisões. Se conseguir a aprovação dos outros não garante essa independência, então temos um problema.

Todos nós precisamos ser cuidados, validados, encorajados e apoiados... e não apenas ser, mas também sentir que somos. Completar essas necessidades em relação aos outros faz parte do que poderíamos chamar de dependência saudável. Além disso, satisfazê-las contribui para que, em determinados momentos, sejamos capazes de ser mais autônomos, sendo nós que apoiamos os outros.


Isso é chamado de interdependência e envolve tanto dar quanto receber. Isso é necessário para a nossa sobrevivência e para os nossos relacionamentos. No entanto, em muitos casos as coisas não são bem assim, e surge a dependência excessiva, uma necessidade intensa da aprovação de alguém.


Quando a maior parte de nossas energias é direcionada para agradar aos outros e obter sua aprovação, entramos em um círculo perigoso. Nesse sentido, a dependência excessiva provoca sentimentos de vazio, inadequação, perda, confusão e insignificância.



Quando o objetivo é conseguir a aprovação dos outros

O primeiro fator de influência, que não é necessariamente condicionante, será como recebemos a aprovação/desaprovação de nossos pais e cuidadores. Isso pode estar intimamente relacionado com o que fazemos agora para buscar a aprovação ou evitar a desaprovação. A verdade é que, de alguma maneira, nosso cérebro pode ter ficado programado com comportamentos de autodefesa diante da desaprovação dos outros, que agora podem estar dificultando nossos relacionamentos.


As defesas que criamos na infância, quando não nos sentimos amados ou valorizados o suficiente por nossos cuidadores principais, provavelmente nos serviram razoavelmente bem naquela época. Mas, atualmente, essas defesas dificultam a construção de novas relações baseadas na confiança e até na intimidade. Ironicamente, essas mesmas defesas também podem nos impedir de obter a autoaprovação.


O que fazemos para evitar a desaprovação?


Nessa tentativa de buscar a aprovação dos outros, muitas vezes agimos de maneiras pouco aconselháveis. Esses comportamentos disfuncionais são uma forma de autossabotagem da qual, em muitos casos, não somos conscientes. De acordo com a proposta feita pelo Dr. Leon F. Seltzer, estas formas disfuncionais de evitar a desaprovação dos outros são as seguintes:


  • Você é perfeccionista ou sempre se coloca sob pressão para fazer melhor

Esse comportamento disfuncional faz com que você se sinta obrigado a tentar fazer praticamente tudo da maneira mais perfeita possível. Esta forma de tentar eliminar a desaprovação dos outros não tem nada a ver com a busca da excelência, muito mais saudável e muito mais seletiva, ou com uma motivação intrínseca por melhorar. Essa atitude faz com que "ser bom o suficiente" não seja suficiente. De fato, ao sentir que não é o melhor, a conclusão que se tira é "não ser bom o suficiente".


Ser a melhor versão de si mesmo não implica ser necessariamente o melhor. Ou talvez sim. O fato é que você não saberá se não parar de focar seus esforços em parecer com o que os outros esperam (ou acha que esperam) de você.


  • Evita iniciar qualquer projeto no qual possa falhar