Num mundo em ruínas, onde investiremos nossa libido?



Atravessamos, mais uma vez, um tempo sombrio, obscuro, em que não conseguimos enxergar um palmo adiante. Não há garantias de futuro, a instabilidade econômica ampliando nossa dor de existir, esticando a sensação de desamparo, tão inerente ao humano.


Num mundo em ruínas, onde investiremos nossa libido?


Cada um ao seu modo ergue os próprios tijolos sobre essa realidadezinha que nem sabemos de fato de que se trata, justamente por que ela, a realidade, não existe independente de nossas lentes.


Quando ouvia Renab e o "não, não, não", pensava, como é possível se reabilita, ou seja, se readequar a um contexto de destruição? Cada um escolhe sua maneira de se desconectar desta realidade que só faz destruir. E talvez a desconexão seja mais saudável mentalmente do que a "reabilitação" da forma como tem sido feita, com a facilidade em que psicotrópicos entram e saem na vida das pessoas.


Muitas vezes os psicotrópicos mascaram ou amortecem algo que deveria ser insuportável a ponto de ser dito, seja na neurose, na psicose ou na perversão. Amy disse não para reabilitação, não quis, como muitos também não querem, entrar na lógica da adequação. Ela preferiu outra forma de amortecimento, ainda assim nos deixou sua música.


Andamos todos amortecido de alguma forma, mas fazer laços é o que nos resta para evitar o empuxo à morte.


A palavra ainda é a nossa melhor invenção, e isso me faz acreditar e confiar somente em psiquiatrias que associam medicamento e indicação de psicoterapia porque sabem da importância da fala, porque também sabem ouvir, isso é ouro.


Amortecer todo uma sociedade é impossível. Falta escuta, minha gente! Falta investir a libido em laços ainda possíveis.


Texto de Isloany Machado


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